[Uma mulher passa apressada no centro da cidade,quando,de repente, é atraída pelo gritos de um vendedor em frente a uma loja]
- Olha aí pessoal!. Quem precisa trocar,vender ou comprar sentimentos! gritava um rapaz na frente da loja,e foi tomada de uma surpresa indescritível;
[O que é isso ! ? disse ela para si... e não aguentou,chegando junto do rapaz.]
- O que você está dizendo?
-É só entrar ! disse o rapaz em alto e bom som.
[Ela. meio ressabiada,é verdade,foi entrando e logo veio um vendedor de aparência tranquila e olhar sereno]
- Em que posso servi-la, indagou?
-Não...estou de passagem e com certa pressa, e só queria saber como é que esse negócio funciona,... emfim, que negócio é esse?..
- AH! já sei,disse o vendedor,a senhora nunca viu esse tipo de negócio não é?
- É isso mesmo.Por favor,eu só quero ter uma idéia "por alto", vamos assim dizer...
-Bem,como a senhora está vendo,a loja está cheia de estantes com prateleiras, e o conjunto está dividido em colunas, onde cada coluna tem um título;
Nesse lado temos, amor, ternura, carinho,fraternidade,compreensão, tolerância,solidariedade,renúncia,alegria e esperança; mais para lá, acho que ainda dá para ver, temos , sacrifício,boa vontade, e mais para frente,deste outro lado, temos ódio,rancor,vingança,inveja, desdém, intolerância, soberba, agressividade, má-fé, esperteza..
[A senhora interrompe]
-Mas esperteza não é sentimento,meu senhor,é atitutde,no que o vendedor retruca:
-Por trás da atitude está outro produto nosso, a ganância,ou aquele outro já dito, a má-fé,e continua;
Como a senhora vê, aqui comercializamos sentimentos e o negócio funciona assim:
Digamos que uma pessoa tenha uma determinada carência. Digamos também que ela vá se deparar com alguma situação que requeira o emprego do sentimento que ela carece.
Isso vai fazer com ela vá ao encontro de uma situação que poderá ser muito desconfortável ou mesmo até bem prejudicial, ou, quem sabe, irremediável;
Nesse caso, essa pessoa vem aqui e procura transacionar a carência em causa,ou seja, aquela da qual depende para enfrentar a situação;
-O senhor agora empregou um verbo que não havia mencionado.O senhor havia dito comercializar e não falou em transacionar...
- É que aqui, como dito, trocamos,vendemos ou compramos sentimentos, o que, efetivamente, são transações, porém o que posso aduzir agora, já que a senhora quer mais detalhes,é que também alugamos, arrendamos, consignamos, e, dependendo de cada caso, credenciamos a pessoa para transacionar com nossos produtos mediante Representação;
-Ah! Que fantástico,disse a mulher admirada!
Um momento por favor que eu vou desmarcar um compromisso para dispor de mais tempo para que o senhor me explique mis um pouquinho sobre esse negócio;
-Pois não,minha senhora,esteja à vontade, disse o vendedor,constatando que tal tipo de comércio era realmente muito novo na praça;
-Senhor, diz a mulher, gostaria de saber a questão dos preços. Como é que é?...
-Bem, essa questão varia bastante. Como são várias as modalidades de comercialização ou transação, vários também são os preços. Vejamos então alguns poucos exemplos...
-Ah! A senhora me desculpe, mas já estão esperando por mim ali do lado.
-Vamos fazer o seguinte, disse a mulher: o senhor atende à pessoa e eu me aproximo para assistir à transação;
-Está bem, senhora, então aproxime-se quando eu me dirigir ao freguês.
[O vendedor vai até o freguês e se coloca à disposição]
-Bom dia! Tenho, daqui a uma hora, uma reunião muito importante onde vou decidir o destino de um imóvel e preciso de raiva e agressividade para enfrentar o empresário que quer comprá-lo a preço de banana para incorporar um edifício num local tranquilo e com vizinhança que vive há anos em perfeita harmonia, trazendo potencialmente para lá, movimento, barulho, e gente cada vez mais mal educada;
-Pois não, senhor, que espécie de transação prefere: comprar ou alugar?
-Alugar, diz o interessado,pois tais sentimentos não me interessam sejam incorporados;
-Bem,senhor, a raiva está a R$ 5,00/hora, e a agressividade, R$ 2,00;
[Aceito o preço, o vendedor apanha dois frascos na prateleira entregando-os ao freguês, que se dirige ao caixa da loja e paga. Após, vai para uma das cabines, onde a mulher percebe que o mesmo inalou o produto e sai dali bufando pelas ventas]
-Nossa Senhora! Diz a mulher atônita,nunca vi isso na minha vida! Por que é tão barato?
-Porque esses produtos praticamente são oferecidos por centenas ou um milhar de pessoas diariamente aqui na loja, ou porque os tem à vontade, ou porque querem fazer uns "trocados";
Na verdade,quase todo mundo tem, e só um ou outro não os dispõe em quantidade suficiente...
-E quanto custa o amor, meu senhor ?, indaga a mulher com visível ansiedade;
-Ah! Senhora, se for para alugar,no momento está custando R$ 300.000,00/hora, pois sua cotação varia muito durante o correr do dia, aumentando bastante no que vai entardecendo.
Mas, se for para comprar, aí a senhora me desculpe, mas o amor nós não vendemos,só alugamos. É muito difícil,por estes tempos, vir alguém aqui vender esse produto.
terça-feira, 12 de janeiro de 2010
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2 comentários:
Sergio
Esse foi um dos temas mais difíceis que nos defrontamos na Oficina. Vc se saiu muito bem com diálogos bem estruturados e com humor.
Abs
Fabio
Grande Fabio,
Um comentário seu,como mestre que é,só me tráz muita satisfação. Afetuoso abraço, Sergio
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