sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
BEETHOVEN RETORNA
[Estou em meu escritório absorto num trabalho. A campainha toca. Com uma certa má vontade vou atender]
[ Abro a porta. Não acredito!!!.É ele mesmo!!!]
-Bom dia “seu” Beethoven. O senhor outra vez?
-É que no plano espiritual esse negócio de tempo não tem tanto valor quanto aqui.
Minha curiosidade cresceu demais e resolvi aparecer. Esse negócio de
“ teclado” e “computador” não me deixaram mais em paz. O senhor me dê licença, tenho muito a conversar. Posso entrar?
[De que jeito, penso eu, não tem outro]
- Por favor, entre, de certa forma estou lhe devendo o prometido, mas antes de mais nada, vou lhe dar uma outra roupa porque com essa aí não dá pr’a ficar;
[Trago uma calça jeens, camisa esporte, tênis e cinto. Beethoven não era alto. Seu tamanho aproximava-se do meu]
O senhor pode trocar de roupa aqui neste banheiro. Eu o espero na sala
[Beethoven aparece com a roupa, que lhe emprestou um ar de camelô da Rua Uruguaiana em dia de sol muito quente , cara amarrada como quem foi trabalhar com diarréia ,e que até aquela hora nada tinha vendido]
- Beethoven, vamos para o meu escritório. Lá está o meu teclado. Vamos começar por ele. É um Yamaha PSR-172, um tipo Standard, mas que oferece recursos que dão para fazer alguma coisa.
Inicialmente, peço paciência, pois vou lhe explicar como funciona. Há um mínimo que preciso lhe informar, já que nem eletricidade o senhor sabe o que é;
Bem..., veja, esse fio a gente liga ali. Aquele objeto chama-se “tomada” . Esse botão aqui no teclado, a gente aperta, e pronto: está ligado !!!!. Ta ouvindo esse zunidozinho?.
Veja agora estes três grupos de chaves: Song, Voice e Style.
A primeira contém melodias tradicionais mostrando-as tocadas pelo teclado. A segunda, composta de um conjunto de cem instrumentos numerados de 1 a 100.
A terceira chave, Style, como o próprio nome deixa transparecer, estabelece os diferentes ritmos e altera o timbre;
Desse lado esquerdo você aciona o acompanhamento.
Veja esse botão “on-off”. Apertando esse botão, você percebe que o instrumento joga um ritmo na melodia;
E agora o fundamental: Além do ritmo, Beethoven, o teclado entra com o acorde e segue a melodia à medida que você a vai dedilhando neste teclado
- Sergio, estou ficando muito nervoso, parece que caminho para um ataque: Não agüento mais de tanta ansiedade. Quero mexer nesse “troço” agora, se não vou explodir! ;
-Calma “seu Beethoven”, o teclado não vai fugir daqui não. Ao que tudo indica, com a evolução da produção dos instrumentos, assim como a dos costumes que a sociedade absorveu, o senhor deve estar desatualizado. Caso estranhe algum som ou instrumento, tenha calma, procure conhecer a novidade. Quem sabe não estaria se abrindo uma nova fase nas suas composições?
Alguns instrumentos evoluíram na sua tecnologia, outros foram criados.
Não se esqueça que o senhor nasceu em Dezembro de 1770 e mesmo a sua morte, em Março de 1827, já está distante, ou seja, há 181 anos.
- Morte não, eu não morri. Eu só faleci.
To “vivinho” aqui, não tô?. Não tá vendo?
E não agüento mais.
Se me permite, vou sentar no banquinho e você vai me ajudar agora;
-Pois não Beethoven, diga o que quer;
- Antes demais nada, já que não sou mais surdo, quero tocar a Heróica e deliciar-me com seus acordes. Vou tocá-la como se estivesse em 1795 com 25 anos...; Prepara esse teclado para as chaves que estou vendo aqui, de “gran-piano”, “harpsichord” e “vibrato”: vou inovar e ver no que dá;
Aqui pr’a nós Sergio, Haydn e Mozart, meus contemporâneos vão pular nos seus túmulos!!!. Aliás,a bem da verdade,nem sei se estão lá, mas tenho saudades do meu mestre Haydn. Com ele, em Viena, passei uma fase de estudos muito proveitosa;
Bem, continuando, quero que prepare esse teclado para a obra toda, ou seja, me dê uma folha de papel mostrando onde estão os metais, as cordas e a percussão;
-Seu “Beethoven”, vamos devagar com o andor porque o santo é de barro...;
- O que está me dizendo? Santo de barro? Andor, o que é isso? Obra sacra?
- Desculpe-me Beethoven, referi-me a um ditado centenário e popular aqui no Brasil, não tem nada a ver com essa questão da 9ª Sinfonia;
Acho que não irá conseguir de imediato tocar essa gigantesca obra logo de saída;
Tenho uma sugestão: Você, aos 8 anos, tocou um concerto para cravo, e aos 10 já dominava praticamente toda a obra de Bach. Aproveitava os instrumentos da Capela do Príncipe de Bonn, onde seu pai era tenor e você foi organista-assistente;
Por que não começa com uma peça para cravo, ou mesmo, órgão ?
- Taí, uma boa idéia.
Ajuste o teclado inicialmente para clavi ; vou tocar uma peça ligeira para cravo. Depois, quero que faça um ajuste para arpsichord porque vou ver como fica Bach, o João Sebastião, como vocês devem falar...
-Beethoven, nós o chamamos por Johann Sebastian Bach mesmo, ou simplesmente Bach;
[Peço licença , ligo o teclado e a chave clavi . Espectativa total!!!!]
-Pronto, pode começar, o botão de volume é ali à esquerda;
[Um som de cravo inunda o ambiente. Beethoven se entrega por inteiro, ...mas, por ter sido surdo, botou o volume no máximo. Um minuto depois, vizinhos tocaram a campainha..]
- O que houve Sergio? Aconteceu alguma coisa? Você está bem? disse Zenildo, meu vizinho de porta;
- Desculpe gente, o teclado deu um curto no sistema elétrico e disparou....
-Vamos lá, eu conheço alguma coisa, falou Zenildo;
-Nãããããããooooooooooooo!!, eu também tenho alguma idéia, dá licença que eu vou desligar o teclado;
-Beethoven,Beeeeeeethooooooovennnnnn!!!!,pára,pára,...pááááááraaaaaaaa...;
[ Beethoven estava extasiado. Não tive outro jeito,..puxei o fio da tomada e o teclado parou];
A rua está um reboliço, disse, e você Beethoven não pode ficar aqui nem mais um minuto. Dentro de uns segundinhos a polícia vai chegar porque já foi chamada. Aí não garanto mais nada. A mídia aqui é extremamente sensacionalista e não vai deixar por menos,vai colocar a sua foto na primeira página dos jornais e você nunca mais terá sossego.
-A é?. Já tive muitos problemas na minha vida, já agüentei meu sobrinho Karl que praticamente me matou de desgosto,e minha amada Giulietta Guicciardi, com seus 17 anos, não entendeu quando lhe compus a Sonata ao Luar.
Agora quero paz.
Vou voltar para o plano espiritual, Sergio.
Tentarei encontrar meus contemporâneos Mozart e Haydn e lhes contar as novidades;
Mas, prudentemente, os aconselharei a não ressurgir neste planeta. Aqui está tudo muito doido. As pessoas parecem que continuam a gostar mesmo é de pão e circo.
Até mais ver...como vocês costumam falar....
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
O P E D E S T A L
-Todo mundo pronto para a brincadeira?
-Bem então vamos brincar:
- Não podem sair de cima do pedestal de vocês;
- Agora vamos-nos dar as mãos !
- Não posso,grita Dilma;
- Também não posso, fala mais alto Beto;
- Tarcísio, estica sua mão e vê se pega a minha,fala Clarisse;
- Não posso,diz Beto, senão vou desequilibrar!
- Chega mais pra cá grita Leão pra Telma. Nós estamos perto;
- Acho que não dá,fala Telma. Meu pedestal está meio bambo;
- Então vamos nos abaixar, alguém sugere gritando!;
- Eu já abaixei,diz Tais;
- Eu também estou quase abaixando,mas o pedestal está balançando, anuncia Marlene;
- Não pode sair do pedestal ,ecoa um grito forte vindo da direita!
- Eu não me abaixo, fala Geraldo!
- Mas assim,não vamos aguentar e nem brincar argumenta Clarisse;
- Ela tem razão diz Cleto, dessa forma não aguentaremos;
- Afinal gente, que negócio é este? É pra brincar ou não, diz Zeni?
- É para brincar sim mas não podemos dar as mãos, fala Fani;
- Mas, se não podemos dar as mãos o que podemos fazer,grita Beto;
- Podemos abaixar, fazer careta, outros gestos,essas coisas,diz Cleto;
- Podemos sentar,pergunta Telma?
- Não pode sentar, ecoa a voz que sugeriu a brincadeira;
- Por que, indaga Leo ?
- Sentar significa desistir, torna a soar a voz!
- Essa voz tem razão,diz Zuneide, quem está no pedestal não pode dar impressão que pretende desistir;
- Isso está me cheirando outra coisa, o orgulho ameaçado,grita Aldo;
- Ele tem razão, diz Leão. Se isto é brincadeira, ela está mexendo com a gente;
- Estou com vontade de fazer xixi, fala Salvador;
- Não pode sair do pedestal, tromboneia a voz!
- Mas eu não vou fazer xixi aqui, diz irritado e em voz alta, Salvador;
- Vire-se de costas, fala uma voz meio tímida pelo lado esquerdo;
- É verdade, diz Manuela, nós estamos em círculo, ninguém vai ver;
- Mas eu não sei rodar no pedestal,argumenta Salvador!
- Então abaixa e faz xixi, grita Zuneide;
- Não posso sentar, como faço,diz Salvador?
- Abaixa um pouquinho e faz, argumenta com ares de sábia, Dilma;
- Não,não...não posso. Alguém me traga um pote,fala Salvador;
- Mas ninguém pode sair do seu pedestal, berra Telma;
- Por que vocês não acabam com essa brincadeira,surge a voz não sei de onde?
- Mas nós vamos ter que descer do pedestal,diz Aldo;
- Bem,é isso mesmo alardeia Geneci, até então calado;
- Quem vai descer primeiro?
- Eu não,diz Dilma;
- Eu não, diz Clarisse;
- Eu não,diz Salvador;
- Eu também não, grita Cleto;
- Eu também, fala Zeni;
- Tô com a maioria, argumenta Beto;
- Eu "tamém" não, alardeia Fani;
- Fiquem sabendo que eu também não, diz Zuneide;
- Eu muito menos, grita Geraldo;
- Vocês acham que eu vou descer? Isto é que não, avisa Telma;
- Se vocês querem saber, eu também não,fala Geneci;
- Bem,se ninguém vai descer, muito menos eu, berra Aldo!
Todos ficam no pedestal.
O tempo passa e as necessidades começam a incomodar.
O individualismo ainda reina,mas os partícipes começam a admitir mudanças;
De repente, outra vez a misteriosa voz ecoa forte!
Por que voces não se unem?
Todos gritam em uníssono: Porque não podemos descer do nosso pedestal!
Façam o seguinte, ecoa novamente a voz:
-Vocês estão em circulo. Dividam-no ao meio. Uma metade balança o seu pedestal para a esquerda, a outra metade, para a direita. Assim,ao meu sinal,vocês vão conseguir encostar no seu vizinho, pelo efeito dominó. Uns pela esquerda e os outros pela direita. O circulo vai se abrir em um ponto e a outra extremidade ficará parada porque chegarão os vizinhos um da esquerda e o outro da direita, simultâneamente;
- Conto até três e ...já!
- Conseguimos, gritam todos ao mesmo tempo!
- Abrace-me,diz Dilma;
- Abrace-me,diz Clarisse;
- Abrace-me,diz Salvador;
- Abrace-me,diz Cleto;
- Abrace-me,diz Zeni;Abrace-me,diz Fani;
- Abrace-me,diz Zuneide;
- Abrace-me,diz Geraldo;
- Abrace-me,diz Telma;
- Abrace-me,diz Geneci;
- Abrace-me,diz Aldo.
Apoiando-se mutuamente os participantes da brincadeira chegam no chão. Alegres, todos se abraçam.
Salvador acorda. Tinha sonhado! Compreendeu então que o Salvador havia lhe trazido uma suave mensagem para reduzir ou mesmo acabar com sua soberba seu individualismo, seu egocentrismo e seu orgulho: Amem-se como EU vos amo.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Á R V O R E S C O B E R T A S P O R T E I A S DE A R A N H A
APÓS UMA ENCHENTE NO PAQUISTÃO AS ARANHAS REFUGIARAM-SE NAS ÁRVORES E TECERAM SUAS TEIAS PROPORCIONANDO UM ESPETÁCULO ENTRE BONITO E ATERRADOR.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
sábado, 26 de novembro de 2011
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